Carregando..

Notícias

Brasil tem péssimo desempenho em relatório da OMS que destaca necessidade de valorização da Enfermagem


Data da publicação: 08/04/2020
 

Documento ressalta que nenhuma agenda global pode ser concretizada sem maximizar a contribuição dos profissionais da categoria para a saúde

Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Conselho Internacional de Saúde (CIS) se uniram para lançar a campanha global “Nursing Now” no ano passado e decidiram que 2020 seria o ano da Enfermagem, certamente não avaliavam o quanto a profissão estaria em destaque. Desde o surgimento do coronavírus até a doença ser elevada ao grau de pandemia, milhares de profissionais de enfermagem em todo mundo estão na linha de frente no combate à doença.

A Enfermagem é crucial para o esforço global de atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODMs), incluindo cobertura universal de saúde, saúde mental e doenças não transmissíveis, resposta a emergências, segurança do paciente e oferta de cuidado integral e humanizado. 

Para a OMS, nenhuma agenda global pode ser concretizada sem maximizar a contribuição da Enfermagem, que representa 59% das equipes de Saúde no mundo.

Mesmo tendo sua importância reconhecida internacionalmente, no Brasil, a Enfermagem, infelizmente, não é valorizada. 

O relatório “A situação da Enfermagem no mundo”, divulgado pela OMS e que conta com informações de 191 países, revelou que o Brasil teve um desempenho sofrível no que se refere às regulações e condições de trabalho, ocupando, inclusive, posição inferior em relação a alguns países africanos. Levando em conta um índice de um a seis, o Brasil soma apenas dois pontos, equivalente ao desempenho da Índia.

O relatório ressalta a necessidade de intervenções políticas para possibilitar o máximo impacto e efetividade, otimizando o escopo de atuação e liderança da Enfermagem, juntamente com aumento do investimento em sua educação, treinamento e trabalho. 

Para que isso seja viabilizado, o presidente do Cofen, Manoel Neri, defende que os projetos de lei que estabelecem o piso salarial nacional e a regulamentação da jornada de trabalho em 30 horas semanais para os profissionais de Enfermagem sejam aprovados no ano de 2020 (Ano Internacional da Enfermagem). 

Na opinião dele, esta seria uma  resposta do governo brasileiro a este quadro dramático, evidenciado no relatório da OMS e já conhecido através da pesquisa “Perfil da Enfermagem no Brasil”, realizada pela Fiocruz no ano de 2014, por iniciativa do Cofen.

Com mais de 558.177 mil enfermeiros, 1,3 milhão de técnicos e 417.540 mil auxiliares de Enfermagem, o Brasil apresenta uma alta densidade de profissionais por habitantes, conforme o relatório da OMS.