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angle-left Semana da Enfermagem de Belo Horizonte destaca papel de liderança dos profissionais

Este mês, o Coren-MG está promovendo a Semana da Enfermagem com o tema “Enfermagem: uma voz para liderar – A saúde é um direito humano”. O evento, instituído pelo Decreto 48.202/1960, marca duas importantes datas para a enfermagem: 12 de maio (Dia do Enfermeiro) e 20 de maio (Dia dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem). Nos dias 14 e 15, a atividade foi realizada em Belo Horizonte e contou com a participação de mais de 300 pessoas. De 21 a 25 de maio, será promovida em Montes Claros, no Norte de Minas. [Clique nas datas para acessar as imagens: 14/05 (manhã), 14/05 (tarde), 15/05].

 

O objetivo dos eventos é apresentar temáticas que são importantes para a prática da enfermagem e fomentar o acesso à saúde da população como um direito irrevogável. Dentro desta perspectiva, a presidente do Coren-MG, enfermeira Carla Prado Silva, abriu o evento, que foi realizado no auditório do Instituto Metodista Izabela Hendrix, chamando os participantes para reflexões. “Será que estamos conseguindo alcançar nossos objetivos?”, questionou.

 

O sucateamento do SUS, com o congelamento de verbas para a saúde por 20 anos, e a precariedade do trabalho foram apontados pela presidente como indícios de que as perspectivas não são boas. No entanto, Carla Prado disse que a enfermagem pode mudar este cenário. “A partir do momento em que conseguirmos unir a enfermagem, é inconcebível pensar que não podemos fazer nada pela categoria. A enfermagem precisa amadurecer politicamente e fazer do voto uma arma. Vamos colocar pessoas interessadas em nossa causa”, destacou.

 

Além de Carla Prado, a mesa de abertura do evento contou com a presença do reitor e da coordenadora do curso de Enfermagem do Instituto Izabela Hendrix, professores Luciano Sathler e Miriam de Oliveira Alves Ribeiro, da representante do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel), Cleide Donária, da diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), Neuza Freitas, do presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Minas Gerais (SEEMG), Anderson Rodrigues, e do diretor do Sindicato dos Empregados em estabelecimento de Serviços de Saúde de BH e Região (Sindeess), Joaquim Valdomiro.

 

A abertura também contou com a presença do vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais (CES-MG), Ederson Alves, que destacou a importância de se valorizar os profissionais da enfermagem e da luta pelas 30 horas. “Já foi dito nessa mesa, precisamos unir nossas lutas em defesa desse trabalhador que cuida da vida do ser humano, que precisa ser valorizado em seus diversos espaços, principalmente pela dignidade de salários mais justos”, apontou. Ederson Alves também agradeceu o Coren-MG pela participação no CES-MG, citando, especialmente, o enfermeiro fiscal Farley Sindeaux Ribeiro e a conselheira do Coren-MG, auxiliar de enfermagem Elânia dos Santos Pereira. “Eles estão lá na construção de um SUS melhor, público e de qualidade”, finalizou.

 

Valorização e protagonismo – A palestra que iniciou a programação da Semana da Enfermagem 2018 teve como título o tema do evento: “Enfermagem: uma voz para liderar – A saúde é um direito humano”. Proferida pelo enfermeiro fiscal do Coren-PE, coordenador do núcleo de pós-graduação em enfermagem do Instituto de Desenvolvimento Educacional da Faculdade Redentor (PE) e membro da Câmara Técnica de Atenção à Saúde do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Gilmar Júnior, a atividade destacou a importância da autovalorização e do protagonismo dos profissionais de enfermagem. 

 

Segundo Gilmar Júnior, uma enfermagem líder resulta, sobretudo, em mudar o mundo. Ele citou como eixos para isso acontecer traçar um planejamento, enfrentamento e luta, conquistas de espaços políticos, publicidade inteligente e autovalorização. “Um profissional de enfermagem somente ganhará notoriedade quando mostrar atitude em suas decisões nas relações diárias. Estamos na era dos profissionais empoderados”, enfatizou.

 

Em seguida, o conselheiro suplente do Coren-MG, enfermeiro obstétrico da Maternidade Odete Valadares e coordenador da Residência de Enfermagem Obstétrica da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Mateus Oliveira Marcelino abordou o tema “Papel da enfermagem na mudança do modelo assistencial às parturientes”. Ele iniciou a palestra fazendo um apanhado histórico dos modelos de atenção à saúde e divulgou dados sobre a Pesquisa Nascer no Brasil – Inquérito nacional sobre parto e nascimento, promovida pela Fiocruz.

 

De acordo com o trabalho, 98% dos partos são assistidos em hospitais, menos da metade das mulheres foram submetidas a boas práticas no trabalho de parto e parto, 40% de amniotomia, 56% de episiotomia, 37% de manobra Kristeller e 92% de litotomia, a mortalidade neonatal ficou em 11,1/mil nascidos vivos e a mortalidade materna de 64/100 mil nascidos vivos, dados bastante expressivos. “E o que a Enfermagem Obstétrica tem a ver com isso tudo?”, questionou Mateus Oliveira. “Experiências positivas no parto para as mulheres acompanhadas, menos analgesia peridural, maiores chances de partos vaginais espontâneos, menores taxas de cesarianas e trabalhos de parto mais curtos”, ele apontou. 

 

Para finalizar a palestra, a doula Poli Amaral. Integrante da Parto do Princípio – rede de mulheres usuárias do sistema de saúde que luta pela promoção da autonomia das mulheres, tendo como principal eixo de atuação a defesa e a promoção dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher – e mãe de três filhas, ela fez um relato de violência obstétrica. Entre as razões que foram apontadas para a não realização do parto normal em sua primeira gravidez foi dito que sua placenta estava velha e sobre Poli Amaral foi relegada a responsabilidade caso o procedimento normal tivesse alguma consequência para a criança. Mais tarde, a doura descobriu que foi enganada e que poderia ter tido outra experiência no parto. 

 

Políticas públicas, integridade e cultura - Dando sequência às atividades, o enfermeiro e analista de políticas públicas do Ministério da Saúde, Michael Luiz Diana abordou “Políticas públicas e o acesso à saúde – Papel da enfermagem”. O participante expôs a funcionalidade real do Sistema Único de Saúde (SUS), esclarecendo que todo e qualquer cidadão utiliza o programa, desde a vigilância em saúde até a vacinação, por exemplo – serviços inteiramente oferecidos pelo SUS. Para ele, a palavra mais simples e, ao mesmo tempo, mais complexa de lidar é “cuidar”, que é o papel da enfermagem.

 

A palestra que encerrou o primeiro dia foi “Integridade, ética e conduta”, proferida pela Gerente de Governança, Riscos e Compliance da Unimed Belo Horizonte, enfermeira Vivian Nicele Andrade Pulit. Ela explicou como um profissional de enfermagem deve proceder eticamente e expôs alguns exemplos de má-fé na enfermagem. Para finalizar, ela esclareceu algumas dúvidas dos participantes.

 

Em seguida, os participantes da Semana da Enfermagem tiveram um momento cultural com a apresentação da peça “Francisco de Assis - do rio ao riso”, encenada pelo ator Carlos Nunes.  O espetáculo traduz a imagem não só do santo, mas do homem genial que foi Francisco, da sua infância até a sua morte. Toma-se dele a humanidade com que enfrentou o seu desafio de mais amar que ser amado. A ideia do espetáculo é fazer rir sem ofender, divertir sem blasfemar. Sem ferir a aura de santo que lhe é peculiar, o espetáculo mostra, sob uma nova e divertida perspectiva, a sua fraterna existência sobre a terra.

 

Inovação e ética - No segundo dia do evento, a palestra “Comportamento, inovação e criatividade na enfermagem” abriu a programação. A atividade foi conduzida pela engenheira eletricista, mestre em Engenharia Elétrica na área de Automação e Controle Industrial, especialista em Marketing e doutora em Engenharia de Produção e Sistemas com foco em Gestão Integrada do Design, Lígia Fascioni. Segundo ela, inovação é empregar valor de uma maneira nova. “O foco vai ser sempre o ser humano e quem decide o valor é o ser humano que está na outra ponta”, refletiu.

 

Realidade aumentada – utilização de óculos especiais para enxergar artérias e até mesmo órgãos internos do corpo humano – e engenharia de tecido humano – construção de pele humana – são algumas das inovações na área da saúde que impactam o desenvolvimento profissional da enfermagem. Para que o profissional de enfermagem consiga ser inovador, Lígia Fascioni apontou sete práticas: ter cérebro flexível (buscando sempre participar de experiências inéditas), equilibrar os lados do cérebro (evitar uma única fonte de informação), saber que não sabe (aprender sempre), conectar-se com pessoas, praticar a empatia, pensar longe (ter visão estratégica) e estar atento ao seu redor.

 

Na sequência, a enfermeira, mestre e doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (USP) e doutora em Ciências, ex-conselheira do Cofen (2015-2018), Orlene Veloso Dias proferiu a palestra “Novo Código de Ética da Enfermagem”. O documento, aprovado pela Resolução Cofen 564/2017 (clique aqui para acessá-la), é resultado de amplo e democrático debate e concilia a defesa da sociedade com a proteção ao bom profissional, trazendo avanços, sobretudo nos casos de violência doméstica.

 

A proposta de reformulação foi coordenada por Grupo de Trabalho estabelecido pelo Cofen, que recebeu propostas de alterações encaminhadas pelos diversos regionais, após a realização de encontros e conferências junto aos profissionais de Enfermagem, ouvidos também em consulta pública realizada no Portal Cofen. A nova norma traz uma linguagem mais clara e objetiva, como por exemplo, o artigo que trata da suspensão das atividades quando o local de trabalho não oferecer condições seguras para o exercício profissional, devendo o profissional formalizar imediatamente sua decisão por escrito ou por meio eletrônico à instituição e ao Conselho Regional de Enfermagem. 

 

As atividades da manhã foram encerradas pela exposição da conselheira supervisora da Unidade de Processos Éticos (UPE) do Coren-MG, enfermeira Lucielena Garcia Soares, sobre a Lei 5.905/73 (que dispõe sobre a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem), a Lei 7.498/86 e o Decreto 94.406/87 (que dispõem sobre a regulamentação do exercício da enfermagem). Ela também falou e sobre as atividades desenvolvidas na UPE, setor onde ocorrem os procedimentos para autuação de denúncias, orientação a conselheiro e desempenho das Comissões de Instrução. A UPE tem como objetivo de garantir que toda queixa com indício de infração ético-disciplinar venha a ser instruída de acordo com o Código de Processo Ético, para aplicação do Código de Ética dos profissionais de Enfermagem.

 

A Semana da Enfermagem do Coren-MG em Belo Horizonte foi oficialmente encerrada pela conselheira Christiane Viana, que agradeceu aos participantes e à comissão organizadora do evento, e pela vice-presidente do Coren-MG, Lisandra Aquino, que também deixou seus agradecimentos a todos os envolvidos na Semana da Enfermagem 2018. Além disso, ela fez uma retomada de toda a caminhada da nova gestão até o momento da posse, que ocorreu em janeiro de 2018. “Passamos por desafios e uma guerra judicial, iniciamos a gestão sem transição. Buscamos mudar conceitos dentro do sistema de Cofen/Conselhos Regionais, para atuar com excelência na atividade fim que é fiscalizar e disciplinar o exercício profissional da enfermagem”, finalizou.