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angle-left Entenda como funcionam as vacinas

O Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde recomenda 12 tipos de vacinas à população, de recém-nascidos a idosos. Todas distribuídas gratuitamente nos postos de vacinação da rede pública. No primeiro ano de vida, a criança deve tomar 20 doses de vacinas, de acordo com o calendário básico de vacinação. Ao nascer, o bebê recebe uma dose única da BCG-ID, que evita formas graves da tuberculose, e a primeira dose da vacina contra hepatite B. Ao completar 1 ano, a criança recebe a primeira dose da tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola, e o reforço da vacina pneumocócica 10, que previne enfermidades causadas pelo Pneumococo, como otite, pneumonia e meningite. No calendário do adulto e do idoso, por exemplo, há doses contra febre amarela, difteria, tétano e gripe. Já os adolescentes têm que tomar três doses contra a hepatite B, dentre outras.

“A primeira vacina foi a BCG, que é o bacilo da tuberculose de bovinos atenuado em laboratório. Depois, surgiram vacinas vivas atenuadas em laboratório, como a contra poliomielite. A tríplice viral é como se fosse uma forma muito atenuada da doença. As pessoas muitas vezes não percebem, mas há uma infecção”, conta o consultor técnico da Bio-Manguinhos/Fiocruz Reinaldo de Menezes Martins.

Por vacina viva, entende-se as que usam o micro-organismo (vírus ou bactérias) vivo atenuado da doença que vai prevenir. Há também as não vivas, que utiliza o micro-organismo inativo. Em ambos os casos, o indivíduo começa a produzir anticorpos contra a doença cerca de dez dias após receber a vacina.

Algumas pessoas confundem vacina com soro. Enquanto a primeira é utilizada para prevenir novas doenças e demora alguns dias para fazer efeito, o soro tem efeito logo que aplicado. Isso acontece porque os soros são os anticorpos; as vacinas, a doença atenuada para que o corpo do indivíduo reaja e produza os anticorpos. Além dessas diferenças, a vacina tem efeito preventivo duradouro, enquanto os anticorpos advindos do soro permanecem no corpo das pessoas por pouco tempo, sem falar que, às vezes, causa reações alérgicas.

De acordo com Martins, há vacinas produzidas inteiramente no Brasil e outras, parcialmente. Um bom exemplo é a vacina contra febre amarela, feita em Bio-Manguinhos desde os anos 1930 e, inclusive, exportada. A Haemophilus influenzae tipo B, que imuniza contra meningite e pneumonia, era importada até pouco tempo atrás, quando Bio-Manguinhos fez um acordo de transferência de tecnologia e passou, então, a abastecer o sistema de saúde. Outras, como a tríplice viral e a contra poliomielite, tem apenas a sua fase final e a distribuição feitas no Brasil, mas, em breve, deve-se concluir a transferência de tecnologia e estas vacinas serão feitas totalmente nos institutos brasileiros.

“Em termos de saúde pública, nada se compara à vacina, que é eficiente e mais barata do que os tratamentos das doenças. As vacinas que estão no Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde são produzidas e distribuídas pela Bio-Manguinhos e pelo Instituto Butantan”, explica Martins.

E os resultados são visíveis. A rubéola teve o último caso registrado no mundo em 1977. No Brasil, o último caso da doença foi em 1971, mas a vacina continuou sendo aplicada até 1980. A poliomielite foi considerada erradicada do Brasil em 1994, cinco anos após ter sido registrado o último caso. No entanto, as campanhas de vacinação continuam. Como a doença ainda faz vítimas no continente africano, e o intercâmbio entre a África e o Brasil é constante, as campanhas nacionais de vacinação contra poliomielite são necessárias para evitar que a doença ressurja no país. O mesmo acontece com o sarampo, cujo vírus ainda circula na Europa e vez ou outra entra no Brasil.

Fonte: Globo Ciência. Disponível em: http://redeglobo.globo.com/globociencia/noticia/2012/05/entenda-como-funcionam-vacinas.html