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Mistanásia é tema de estudo de enfermeiros mineiros


Termo está ligado à eutanásia social, que resulta em uma morte miserável, sem cuidados

As enfermeiras Marilza de Souza, Merilaine dos Santos e Edma Silva Nogueira fazem parte do grupo que aborda o tema

Data da publicação: 19/12/2019

A Enfermagem cuida da vida em todos os seus momentos, até mesmo quando ela já está terminando. Neste momento tão difícil, é essencial proporcionar ao paciente incurável uma assistência que visa oferecer dignidade e diminuição de sofrimento. Mas, infelizmente, nem todos têm a oportunidade de passar por este tipo de cuidado. O resultado disso é a mistanásia, que representa a morte miserável, antes da hora. Este foi o tema de estudo de um grupo de profissionais de Enfermagem mineiros. O trabalho foi apresentado no 22º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem (CBCENF), realizado em novembro, em Foz do Iguaçu (PR). 

Também conhecida como eutanásia social, a mistanásia despertou o interesse dos enfermeiros Marilza Alves de Souza, Marília Aguiar, José Aparecido Resende, Isabel Santos, Merilaine Isabel dos Santos, Edma Silva Nogueira e da médica Cislene Souza Teixeira. O objetivo do grupo é esclarecer o termo, que já é conhecido em outros países da América Latina, mas é muito pouco explorado no Brasil. Além disso, os profissionais pretendem difundi-lo para que seja amplamente discutido. 

A enfermeira Marilza Alves de Souza conta que tomou conhecimento do termo em um simpósio sobre cuidados paliativos. Como o ignorava, reuniu os outros profissionais, que comprovaram que há pouco conteúdo sobre o tema na literatura. “Trata-se de uma eutanásia social, uma morte dos miseráveis em um contexto miserável, largada à própria sorte para morrer. É morrer, muitas vezes, na situação de extremo frio, de abandono nos hospitais”, apontou.

Por que isso acontece? Os motivos são variados. De acordo com ela, pela ausência de políticas públicas, de compaixão, de cuidado paliativo efetivo, de uma desospitalização que encaminhe a pessoa para um home care, uma atenção desospitalizada junto à família. “Há pessoas que morrem com muita dor, em sofrimento, o que também é uma mistanásia. Eutanasia seria uma boa morte, que é uma ação da pessoa, uma opção da família. Já a mistanásia é uma condição que a pessoa não escolhe estar ali”, esclarece Marilza de Souza.

O estudo ainda continua em curso. Futuramente, o grupo de profissionais pretende abordar o tema em capacitações. “Para explicar às pessoas porque acontece. Com isso, também temos a oportunidade de esclarecer o cuidado paliativo, que ele vem junto a mistanásia”, finaliza a enfermeira.