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Morre enfermeira mineira que integrou a Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial



É com imenso pesar que o Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG) comunica o falecimento da tenente enfermeira Carlota Mello, ocorrido nesta quinta-feira (28), em Belo Horizonte. Ela tinha 105 anos e estava internada há alguns meses com a saúde debilitada no Hospital Paulo de Tarso, no bairro São Francisco, na Região da Pampulha.

Nascida em Salinas, no Norte de Minas, Carlota ficou marcada por integrar a Força Expedicionária Brasileira (FEB) ao lado do Exército dos Estados Unidos durante o conflito na Itália, onde ficou por 11 meses. Mas antes do conflito, ela já havia sobrevivido à gripe espanhola, pandemia do vírus Influenza que matou milhões de pessoas em 1918.

A heroína Carlota Mello formou-se como enfermeira pela Escola da Cruz Vermelha e se inscreveu no curso de Enfermagem de Emergência do Exército. Serviu a FEB e atuou no 45th General Hospital, na província italiana de Nápoles, durante a Segunda Guerra Mundial. Ela cuidou de muitos soldados feridos no combate, juntamente com um grupo de dezenas de enfermeiras brasileiras.

Em 2012, a enfermeira contou os bastidores da Segunda Guerra Mundial ao repórter Gustavo Werneck, do Estado de Minas (clique aqui para conferir). “Convivia com os norte-americanos o tempo todo, então tínhamos que nos comunicar de qualquer jeito. Usei roupas de frio do Exército deles, pois as nossas não eram adequadas.”, disse, no ano em que recebeu uma das homenagens das Forças Armadas que tem no currículo.

Responsável pelo museu da FEB em Belo Horizonte e amigo de Carlota Mello, Marcos Renault, em reportagem ao Estado de Minas, disse que, ainda jovem, quando o Brasil declarou guerra, ela foi voluntária ao lado de 72 enfermeiras brasileiras, heroínas do Brasil. “Ela chegou a me dizer que muito mais que ministrar remédios e aplicar injeções, ela cuidava do emocional dos soldados, muitos deles jovens, que não sabiam como iriam retornar”, conta.

Emocionado, Renault contou que Carlota Mello sempre foi independente e cheia de vida. “Sempre esteve à frente de sua época. Quando fez 90 anos, queria saltar de paraquedas, mas não deixaram. Daí, ela tentou voar de asa delta, mas também não deixaram. Então, teve a ideia de ir à Turquia para andar de balão. Mas, também não deixaram. Ela sempre quis viver. Era de uma sabedoria enorme. Vai deixar uma lacuna muito grande na nossa história”, lembra.

Neste momento de imensa dor, nos solidarizamos com parentes e amigos de Carlota Mello por esta perda incalculável para a Enfermagem e para a história do Brasil.

Crédito das fotos: Museu da FEB/Divulgação e 4ª Região Militar/Divulgação