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Profissional de Enfermagem do Sul de Minas é agredida por paciente


É insensato, triste, revoltante, abominável, uma profissional de Enfermagem, no exercício de sua profissão, que é a de cuidar do outro, sofrer violência. Mas, infelizmente, foi isso o que ocorreu, novamente, na manhã desta sexta (31), agora em Guaranésia, no Sul de Minas.

São incontáveis os casos de agressões verbais e físicas sofridas pelos profissionais de Enfermagem, a maioria causada pelos próprios pacientes, seus familiares ou acompanhantes. O mais recente caso do qual fomos informados ocorreu na manhã desta sexta (31), em Guaranésia, no Sul de Minas.

A vítima, desta vez, foi a técnica de enfermagem Tatiane Aparecida de Sousa, 24 anos, que trabalha no Pronto Socorro Municipal de Guaranésia. Ela conta que uma paciente, por volta de 30 anos, parecendo estar alcoolizada, chegou muito agitada, falando palavrões e dizendo que alguém a tinha acertado com um tijolo.

Tatiane Sousa disse que a paciente não estava aceitando a medicação, mas depois conseguiram convencê-la a tomar os remédios que, no entanto, não fizeram efeito. Como a paciente estava muito agressiva, a técnica de enfermagem tentou contê-la para que a colega ministrasse novamente a medicação. Neste momento, a paciente mordeu a mão de Tatiane e a chutou no estômago. A violência foi tão grande que técnica teve seu uniforme rasgado.

A polícia foi acionada, a paciente levada pelos policiais e Tatiane Sousa, devido às dores, foi medicada pelo plantonista do pronto socorro e teve de ser liberada para ir para casa, por não ter mais condições de trabalhar.

Violência generalizada – Uma pesquisa da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), realizada com 20 mil profissionais de saúde de países latino-americanos, revelou que 66,7% dos entrevistados sofreram algum tipo de agressão no local de trabalho em 2015, um aumento considerável frente o último levantamento (2006), que mostrou que o índice de agressão era de 54,6%. Outra conclusão do levantamento é que 30% dos profissionais agredidos fisicamente suspenderam as suas atividades laborais temporariamente por conta da violência sofrida.

Especificamente, no Brasil, a Enfermagem, por representar o maior contingente dos profissionais da saúde, é a categoria que mais sofre com a violência. De acordo com a pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil (2013), realizada pela Fiocruz, por iniciativa do Cofen, apenas 29% dos entrevistados disseram se sentirem protegidos em seu ambiente de trabalho e 53% relataram terem sido maltratados, chegando à violência física, pela população usuária.

AÇÕES DO COREN-MG

Em 2019, o Coren-MG fez a campanha “Você não vê, mas ela existe”, que alertou toda a sociedade sobre a violência sofrida por profissionais de Enfermagem em Minas Gerais, ao mesmo tempo que formou uma Comissão Permanente de Combate à Violência formada por pessoas de diversas áreas, como docentes e integrantes do Polícia Militar. Na ocasião foi feita uma pequisa que guiou ações coibitivas e se iniciaram palestras do tema. Na ocasião, o email combateaviolencia@corenmg.gov.br foi disponibilizado para o atendimento mais rápido de casos semelhantes.

O ano de 2020 chegou como o Ano da Enfermagem pela Organização Mundial de Saúde, e ao mesmo tempo a pandemia do coronavírus, mostrando para todos que #SemEnfermagemNãoTemBrasil , mas, infelizmente, casos de violência foram relatados em transportes públicos. Como ação conscientizadora, o Coren-MG colocou nos metrôs, ônibus e agora em bancas de revistas perto dos hospitais em Belo Horizonte, mensagens de apoio e que mostram a importância da categoria para a sociedade, pois #SemEnfermagemNãoTemBrasil

E é importante destacar ainda que o Coren-MG esteve em todas as regiões de Minas, das pequenas as grandes cidades mineiras, para entregar EPI’s para proteção de cada profissional de Enfermagem, pois a falta de equipamento também é uma violência que você pode denunciar pelo email denunciascovid@corenmg.gov.br

O Coren-MG repudia essa ação, em especial em um momento que a Enfermagem é a linha de frente contra a doença mais perigosa dos últimos tempos.

A maioria da sociedade reconhece a grandeza dos profissionais de Enfermagem, cabe agora às autoridades punir os agressores, dentro da lei, para que casos como esse se repitam cada vez menos.