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angle-left Conselhos federais de Saúde se reúnem no Coren-MG

Encontro com representantes dos órgãos abordou prevenção ao suicídio e EaD na área

A mesa de abertura foi composta pela presidente do Coren-MG, Carla Prado (à esquerda), pela coordenadora do FCFAS, Ivone Martini, pelo coordenador adjunto do FCFAS, Marino Tessari (à direita), e pelo presidente do Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia, Manoel Viana Santos

Data de publicação: 28/06/19
 

Criado na década de 1990, o Fórum dos Conselhos Federais da Área da Saúde (FCFAS), do qual faz parte o Coren-MG, é uma organização que tem por objetivo debater e encaminhar assuntos de interesse das profissões da saúde no Brasil. A fim de abordar a “Prevenção de suicídio de profissionais de Saúde” e “Ensino à Distância (EAD)”, temas essenciais para os profissionais da área, nos dias 13 e 14 de junho, foi realizado, no Coren-MG, um encontro que reuniu representantes das entidades integrantes do FCFAS.
 
Atualmente, o FCFAS engloba os Conselhos de Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutricionistas, Psicologia, Odontologia, Serviço Social e Nacional de Técnicos em Radiologia. A mesa de abertura que reuniu os conselhos foi composta pela presidente do Coren-MG, Carla Prado Silva, além da coordenadora do FCFAS, Ivone Martini, do coordenador adjunto do FCFAS, Marino Tessari, e do presidente do Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia, Manoel Viana Santos. Todos deram boas-vindas aos participantes. Os membros do Fórum agradeceram, ainda, a presidente Carla Prado pela acolhida.
 
A responsável por abordar os temas do encontro foi a doutora em Enfermagem, mestre em Enfermagem Psiquiátrica e conselheira do Cofen, Dorisdaia Humerez. Na palestra “Prevenção de suicídio de profissionais de Saúde”, um dos dados alarmantes levantados pela enfermeira foi que o suicídio é a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos. “Acredito que não seja apenas a profissão que esteja levando ao suicídio de profissionais da área. São as inúmeras questões: sociais, particulares, pessoais, genéticas, se há casos na família”, pontuou.
 
Ela destacou, ainda, a importância de se observar os sinais dados por pessoas que pensam em tirar a própria vida. “Muitos suicidas passam por diversas: ideação da morte, planos, autoagressão e tentativas, até chegar ao êxito. Normalmente, uma pessoa que chega ao êxito já tentou várias vezes sem sucesso e nem contou para ninguém. Também há o caso daqueles que foram acusados de estarem querendo somente chamar a atenção, o que é brutal, pois é a primeira tentativa de suicídio”, alertou Dorisdaia Humerez.  
 
Apesar desse cenário trágico, há uma luz no fim do túnel, já que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 80% dos casos podem ser evitados, desde que tratados de forma adequada. “As doenças mentais, transtornos de humor, especialmente, a depressão, são os maiores fatores de risco para o suicídio. A intencionalidade é difícil de ser avaliada, visto que o desejo de morrer nem sempre é explícito, mas é a pessoa que pensa em suicídio que vai me dizer como posso ajudá-la, não eu que vou dar receita”, esclareceu.
 
Ao abrir a palestra para perguntas, a enfermeira responsável técnica do Hospital Sofia Feldman, Vera Bonazzi, observou que um dos pontos que faltam nessa relação é a disponibilidade de escutar o outro. “Isto está cada vez mais longe, devido à própria situação que vivenciamos na área de saúde atualmente, um dimensionamento de pessoal irrisório, mínimo. O desemprego, o excesso de trabalho, de responsabilidade, de atividades, aliado com a baixa escuta. Não há diálogo”, apontou.
 
A representante do Conselho Federal de Medicina Veterinária, Glória Bopp, apresentou um dado alarmante sobre o assunto. De acordo com ela, o médico veterinário tem quatro vezes mais de chances de cometer suicídio do que a população em geral. A carga emocional decorrente de processos de eutanásia em animais os leva a um sofrimento muito grande, conforme Glória Bopp, e como os médicos veterinários têm acesso a variados tipos de medicamento, por vezes os usam em si mesmos para cometer suicídio.
 
Para o representante do Conselho Federal de Odontologia, Luiz Fernando Rosa, os esclarecimentos da conselheira Dorisdaia Humerez foram um alerta. “O problema do profissional de saúde é a somatização e nós não temos um preparo, na nossa base profissional, para lidar com isso. Talvez se conseguirmos levar esta questão para a graduação, podemos chegar a esses profissionais que sofrem essa somatização”, sugeriu. 
 
EaD na área da Saúde - A união de todos os Conselhos tem como objetivo a excelência do cuidar e a proteção, não só da sociedade, mas dos profissionais de Saúde. Dentro desta proposta, uma das principais preocupações do FCFAS são os prejuízos que o Ensino à Distância (EaD) pode causar à Saúde da população que receberá atendimento de profissionais desqualificados.
 
Em estudo apresentado em março deste ano no Cofen, pela Comissão de Educação do FCFAS, foram revelados dados alarmantes: nos últimos dois anos, 913 mil vagas foram autorizadas em 11 profissões da Saúde na modalidade EaD. Esse número representa um crescimento de 232,5%. O levantamento retrata, ainda, que em algumas profissões, como a Biomedicina, o aumento ultrapassa 6.000%. Em Farmácia, os dados são ainda mais assustadores: existem polos EaD até fora do país.
 
Dorisdaia Humerez informou que, em 2015, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) realizou a Operação EaD, para verificar a situação dos cursos à distância na área. A ação, que envolveu 118 fiscais e visitas a 315 polos de apoio presencial, foi resultado de uma consulta que o Ministério Público Federal (MPF) havia feito anteriormente ao Cofen. 
 
A situação encontrada provocou estarrecimento. O relatório foi encaminhado para o MPF, que abriu inquérito para apurar a situação, e também entregue em mãos ao então Ministro da Saúde, Arthur Chioro, pelo presidente do Cofen, Manoel Neri. 

Cópias do relatório também foram remetidas ao Ministério da Educação (MEC), ao Conselho Nacional de Saúde (CNS), ao Conselho Nacional de Educação (CNE), ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Inep) e ao Congresso Nacional, para conhecimento e providências. 

Em dois Estados, a Polícia Federal também recebeu os relatórios para apurar possíveis práticas de crimes.
 
As aulas práticas representam apenas 7,79% da carga horária total dos cursos EaD, em desacordo ao que preceituam as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem, que determinam que as atividades práticas devam permear todo o processo formativo do enfermeiro. A legislação exige carga horária mínima de 4 mil horas e 5 anos de integralização. 
 
Em setembro deste ano, está prevista a realização de um seminário, em Brasília, para discutir e atualizar o Termo de Cooperação Técnica (TCT) entre os Conselhos Profissionais da Área da Saúde e o Ministério da Educação (MEC). Esse termo, que completa uma década este ano, estabelece o papel dos conselhos, em caráter consultivo, no processo de avaliação dos cursos de graduação e de instituições de ensino superior da área da Saúde.