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angle-left Enfermagem muda vidas

Após cuidado recebido por profissionais de Enfermagem do SUS para combater leucemia, jovem decide ser enfermeiro 

Data da publicação: 27/12/2019

Que os profissionais de Enfermagem possuem muitas histórias para contar, todo mundo sabe. São relatos alegres, tristes, de superação... De carinho, de dedicação e até de inspiração. Por vezes, o empenho, a competência e o amor que vai além do exercício do ofício deixam marcas em pacientes e mudam vidas. Uma delas é a de Jhonatta Power Barbosa, de 25 anos, que escolheu ser enfermeiro depois enfrentar uma leucemia.

Natural de São João Del Rei, ele mora em Prados, na região Central de Minas, e em 2013 foi surpreendido com o diagnóstico da doença. “A primeira coisa que veio em minha cabeça foi uma sentença de morte e a incerteza de quantos dias de vida ainda me restavam. Tinha muito medo do que aconteceria daquele momento em diante, das mudanças bruscas que iriam acontecer em minha vida e qual desfecho essa história teria”, conta Jhonatta Barbosa.

Infelizmente, a leucemia já estava em estágio avançado quando foi descoberta devido à demora no diagnóstico. Jhonatta Barbosa diz que, atualmente, como futuro profissional de Enfermagem, sabe que os sintomas que possuía na época já seriam indicativos para a doença. “Apareceram linfonodos retroauriculares, sudorese noturna e coceira na região das axilas. No mesmo dia, busquei atendimento. Passei por quatro médicos em momentos diferentes, os quais propuseram tratamentos para possíveis diagnósticos. Como não havia melhora do quadro com o tratamento proposto, um deles resolver me internar e descobrir de fato o que eu tinha.”

Seu tratamento foi realizado pelo Sistema Único de Saúde em São Paulo. No entanto, apesar de ter recebido encaminhamento médico solicitando à Secretária de Saúde de Prados que ele se tratasse em Belo Horizonte, a demora fez com que outras alternativas fossem levantadas. “Como eu já me encontrava em uma situação mais delicada, meu pai resolveu me levar a São Paulo em busca de um hospital escola para que tentássemos um acesso mais rápido ao tratamento, onde tivessem mais recursos e conseguisse alcançar a cura”, recorda-se Jhonatta Barbosa.

De acordo com ele, durante seu tratamento no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), teve a oportunidade de conviver com profissionais de Enfermagem incríveis que, por meio da assistência, proporcionavam segurança, carinho, empatia, tornando seu tratamento mais leve e o linguajar técnico mais compreensível. “Eles transmitiam a certeza de que você não está sozinho, que tem alguém capaz de clarear toda aquela escuridão que estamos vivenciando, diminuindo nossa ansiedade, medo, contribuindo para que a caminhada fosse mais leve e a certeza de que os nossos sonhos e projetos de vida não se findam com a chegada da doença.”

Jhonatta Barbosa diz que durante o período de tempo que esteve no isolamento, pode refletir sobre o grande papel que a Enfermagem possui em nossas vidas e como seriam vivenciados aqueles momentos sem a ajuda desses profissionais. “Naquele momento, tive a certeza da escolha pela Enfermagem. Tais profissionais me levaram a vestir a camisa da profissão e vivê-la. Hoje eu sou a Enfermagem e luto a cada dia para ser o enfermeiro que eu gostaria de ter se fosse eu o paciente. Serei para os meus pacientes a certeza de que não estão sozinhos em busca de seus objetivos, sempre focando na excelência do atendimento prestado. Afinal, não são os pacientes que nos escolheram, nós que escolhemos cuidar deles”, defende.

Após dois anos e meio de tratamento, hoje ele está curado e faz controle a cada seis meses no Inesp, onde ainda convive com os profissionais de Enfermagem que foram essenciais no seu tratamento, na sua recuperação e na escolha de sua graduação, concluída recentemente, em dezembro de 2019. E ele já pensa em sua especialização: Oncologia. “Aquilo que não nos mata, nos fortalece! O câncer me motivou a querer ajudar pessoas que vivem algo semelhante ao que enfrentei, em dar o meu melhor. Quero ter sempre a certeza de que fiz o melhor que pude”, ressalta Jhonatta Barbosa.