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Invenção de técnico em enfermagem facilita punção venosa

O produto, que possui o nome de Veins Can, foi apresentado no Coren-MG por João Carlos de Souza (segundo da dir. p/ esq.). A demonstração foi acompanhada pela coordenadora da Câmara Técnica, Patrícia Oliveira, pelo coordenador adjunto o Departamento de Fiscalização (DeFis), Ernani Souza, pelo supervisor do polo de Belo Horizonte da Claretiano Faculdade, Sérgio Almeida, pelo presidente Marcos Rubio e pela coordenadora do DeFis, Valéria Arashiro 


Puncionar veias nem sempre é uma tarefa fácil. Em alguns pacientes, é um desafio mesmo para profissionais mais habilidosos e experientes. Para aumentar a possibilidade de escolha de veias, principalmente nos pacientes de longo período de tratamento, foi idealizado o Veins Can. A proposta do equipamento é permitir diagnosticar a impossibilidade de encontrar veias periféricas, garantir maior rapidez e segurança no trabalho e reduzir a taxa de punções malsucedidas. 

 

O equipamento foi desenvolvido pelo técnico em enfermagem e universitário do 3º período da graduação em Enfermagem, João Carlos Fagundes de Souza. “Comecei como auxiliar de enfermagem, em 1998. Em 2015, conclui o curso técnico em Enfermagem e, desde então, venho trabalhando. Já são 19 anos, sempre estudando fazendo cursos online, lendo livros para tornar-me um profissional com conhecimento técnico e teórico. Atualmente, trabalho no Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam) Barreiro”, completa.

 

Além da formação em enfermagem, João Carlos Souza possui curso de eletrônica, rádio e TV e manutenção de redes. Esta habilidade, aliada ao amor pela enfermagem, contribuiu para que ele desenvolvesse o Veins Can. A necessidade pessoal também colaborou para a idealização do equipamento. “Depois de ver minha esposa realizando medicação venosa e a dificuldade para localizar uma veia de boa perfusão para administrar medicação, resolvi que iria criar um dispositivo capaz de visualizar a veia sem a utilização de soluções e que fosse de baixo custo.”

 

No começo, o equipamento era grande, do tamanho de um notebook, muito sem jeito e cheio de fios, como conta João Carlos. “Como eu tinha recebido um acerto de uma empresa, resolvi investir em design e tamanho. Fiz um investimento de, aproximadamente, R$ 11 mil em tecnologia para chegar no tamanho de um oxímetro, para fácil transporte e montagem”, explica o técnico em enfermagem. Para isso, ele contou com uma parceria com um desenvolvedor de aplicativos, que o modificou para reconhecer o dispositivo e obter uma imagem de qualidade por O aplicativo USB Camera Standart custa R$ 3,99 e pode ser adquirido na Play Store. Há, ainda, uma versão gratuita, porém, sem a mesma qualidade de imagem.

 

Depois do desenho, protobord – uma espécie de placa eletrônica –, dois anos de testes em bancada e muitas correções, um engenheiro reduziu o equipamento de tamanho e melhorou sua imagem, até chegar ao patamar de hoje. “Posso garantir a qualidade do produto, que foi patenteado. Além disso, entrei em contato e apresentei desenhos técnicos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao Ministério da Saúde e ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e não houve nenhuma irregularidade, apenas algumas correções, que já foram implantadas, para melhorar seu funcionamento e garantir sua patente industrial como produto nacional”, orgulha-se João Carlos Souza. 

 

O kit do Veins Can é composto por uma câmera especial com lentes de dupla conexão USB, seja pelo celular ou tablet, um suporte articulável, uma embalagem da câmera separado e uma bolsa de transporte. Além disso, conta com manual físico e online e termo de garantia de 90 dias. 

 

Facilidade de uso – João Carlos Souza garante que a utilização do Veins Can é bem fácil. “O equipamento não usa baterias ou fonte externa para funcionar. Basta conectar na saída USB de um celular ou tablet Android 5.0 com uma função chamada OTG ou pen drive. Para utilizar o produto, tem que baixar o aplicativo na Play Store e os ajustes são realizados apenas uma vez. Depois isso, prenda a câmera ao suporte fornecido e direcione ao membro a ser puncionado. A imagem aparecerá na tela do celular ou tablet, que também pode utilizar outras funções, como espelhamento de tela para uma Smart TV ou outros celulares.”


 
O fato de o Veins Can ser de fácil montagem é outra vantagem do equipamento. Além disso, seu tamanho reduzido, sua qualidade de imagem, o fato de o profissional ficar com as duas mãos livres e a falta de contato do equipamento com a pele – o que garante a realização do procedimento com segurança e conforto para o paciente –, o autoajuste da função do aplicativo – que, juntamente com dispositivo, reconhece a luminosidade do local e o ajusta automaticamente são outras vantagens, conforme João Carlos. “O aplicativo pago vem com funções especiais, como registrar o procedimento filmando ou fotografando, podendo compartilhar com outros dispositivos Android ou Smart TV.” 

 

Incentivo ao projeto e dificuldades – O principal apoio que João Carlos teve para a realização de seu produto foi de sua família. “Ela me deu apoio com os protótipos para testar. Mas, logo depois, veio a Claretiano Faculdade, que contribuiu para minha parte teórica com empréstimo de livros e o tutor presencial para tirar dúvidas, e está sendo de muita importância na minha formação profissional. Eu amo criar e amo a enfermagem. Acho que vai além de uma medicação ou procedimento: você tem que gostar do que faz!”, diz o técnico em enfermagem.

 

Mesmo com esse apoio, o projeto esbarrou nas dificuldades financeiras. De acordo com João Carlos, os componentes custam caro e, muitas vezes, não são reaproveitáveis em caso de algum erro na execução. “Outra questão é tirar do papel e colocar em prática. Depois ainda vem a parte burocrática com documentação e patente. Por último, e não menos importante, o cliente final, que, por falta de verba e por não conhecer a marca, não compra o produto”, enumera o técnico de enfermagem, que diz ainda não ter feito propaganda do equipamento, que ainda é novidade para muita gente.   

 
João Carlos de Souza fez a demonstração do equipamento durante a reunião