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angle-left Trabalho realizado por enfermeira em Brumadinho é exaltado por colega de equipe

 

Data de publicação: 28/06/19

O rompimento da barragem de Brumadinho, em 25 de janeiro deste ano, resultou em um dos maiores desastres humanos e ambientais no Brasil. A tragédia causou 246 mortes e ainda há pessoas desaparecidas. Em meio ao caos, muitos profissionais de Enfermagem do município, mesmo sendo também vítimas da catástrofe, encontraram forças para atender a população ainda que fora de seu horário de serviço.

Este foi o caso da enfermeira Ariane de Souza Ribeiro, moradora do Córrego do Feijão. No dia do acidente, ela estava de folga da Unidade Básica de Saúde Palhano, em Brumadinho, onde trabalhava na época. Seu profissionalismo foi destacado por seu colega de trabalho na época, o médico Daniel Reis do Carmo. “Trabalhei diretamente com a enfermeira Ariane, em Córrego Feijão, nos dias que se seguiram à tragédia, e pude certificar o quão competente e o quanto ela ama a profissão, elevando ainda mais meu respeito por toda Enfermagem”, ressaltou.

De acordo com Daniel do Carmo, a enfermeira cumpriu com seu juramento de servir à humanidade ao socorrer seus familiares, vizinhos e desconhecidos que foram vitimados, mesmo estando de folga no dia da tragédia. “Ela os levou para um local seguro, além de resgatar diversos indivíduos do lamaçal e, ainda, desempenhar com maestria as atribuições que lhe competiam com cuidados e prestação dos primeiros socorros durante o fato, até a chegada da equipe médica e Corpo de Bombeiros”, acrescentou.

No dia da tragédia, Ariane Ribeiro estava em casa almoçando com sua mãe. Elas não escutaram nenhuma sirene, somente um barulho longe e, em seguida, houve a queda de energia elétrica. “Não entendemos o que havia acontecido até um morador sair às ruas gritando que a barragem havia ‘estourado’. Saímos de casa e, até então, a ficha não havia caído. Aproximadamente a um quilômetro da minha casa, tudo estava completamente tomado por lama e com pessoas gritando por seus familiares. Neste momento, não consegui descer até a lama para ajudar, pois era muito arriscado”, lembrou.

Os bombeiros chegaram em seguida e constataram que realmente a área era muito perigosa para quem não tivesse treinamento adequado para aquele tipo de salvamento. “Foi um momento de muita dor e sofrimento, pois várias pessoas sabiam que pais, mães, filhos, primos, estavam na mineradora”, ressaltou. “Conversei com algumas pessoas na tentativa de acalmá-las, porém, foi um momento extremamente delicado e de incertezas, visto que não recebíamos notícias fidedignas sobre o ocorrido. Havia pânico, desespero, sofrimento. Então, não poderia ficar de braços cruzados vendo o pior acontecer ao meu redor”, contou Ariane Ribeiro.

Mesmo estando de folga, a enfermeira ajudou na UBS de Córrego do Feijão. Ela  atendeu aos familiares das possíveis vítimas e realizou um levantamento de dados para as pessoas que estavam necessitando de medicamentos, atendimento médico e psicológico, comida e material de limpeza. “Com ajuda da população e de muitos voluntários, realizamos entrega de cestas básicas, água, atendimentos psicológicos (com ajuda de profissionais da área) nos domicílios e na UBS, além de vacinação para evitarmos outras calamidades. Foi um trabalho exaustivo e de muito sofrimento, já que vários amigos estavam desaparecidos e sem chance de serem encontramos com vida”, acrescentou.

Atualmente, ela trabalha na Unidade de Internação Betim/Contagem e cursa especialização em Enfermagem Hospitalar. Ariane Ribeiro conta que seu amor pela Enfermagem veio desde cedo. Por volta de 13 anos, ela gostava de cuidar das pessoas, de constatar melhora dos pacientes e de estar junto do outro. “Sempre trocava os curativos de uma tia, bem velhinha, que morava perto da minha casa e, mesmo não sabendo realizar a técnica adequada, adorava o que fazia. Desde então, comecei a pensar em fazer Enfermagem para aprender melhor essa arte do cuidar, essa arte de levar ao ser humano o cuidado e a técnica adequada”, finalizou.